24/09/2012

A história das músicas

No início dos anos sessenta, Vinícius de Moraes foi presenteado pelo baiano Carlos Coqueijo Costa com um exemplar do LP "Sambas de roda e Candomblés da Bahia", disco esse que impressionou profundamente o poeta, descortinando para ele uma vertente da música popular que ele não havia descoberto.
Vinícius então mostra o disco a Baden Powell, seu parceiro mais constante na ocasião, e este também se encanta. Em 1962, Baden visita a Bahia para apresentar um show com Sílvia Teles no Coutry Club, familiariza-se com artistas e intelectuais baianos, demonstra seu interesse pelas tradições afro-baianas e acaba sendo apresentado ao capoeirista Canjiquinha que o leva a terreiros, rodas de capoeira e o mais importante, interpreta para ele os cânticos e sons do candomblé. Baden fica fascinado, não propriamente pelo sentido místico do que vira, mas sim pela beleza das harmonias do que ouvira.
Ao se reencontrar com Vinícius resolvem iniciar uma série de canções sobre a cultura afro-brasileira. Nessa época, Baden Powell estava estudando canto gregoriano e percebeu que eles tinham semelhança com os cânticos afros que havia ouvido na Bahia. Inspirando-se nessas duas influências, resolve compor uma série de temas mesclando-os com a batida do samba. O resultado é esplendido e de grande beleza melódica, surgindo assim uma nova modalidade musical, os afro-sambas.
Passados os momentos de estudo e assimilação da temática, os dois parceiros estavam prontos e compõem uma séria de música nesse estilo, dentre elas o "Canto de Ossanha".

Veja abaixo o vídeo e a letra da música:


Canto de Ossanha
Baden Powell e Vinícius de Moraes

O homem que diz "dou"
Não dá!
Porque quem dá mesmo
Não diz!
O homem que diz "vou"
Não vai!
Porque quando foi
Já não quis!
O homem que diz "sou"
Não é!
Porque quem é mesmo "é"
Não sou!
O homem que diz "tou"
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha
Traidor!
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!...

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...

Amigo sinhô
Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha
Não vá!
Que muito vai se arrepender
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!...

18/09/2012

A história das músicas

"Garota de Ipanema" é uma das mais conhecidas canções da Bossa Nova e da MPB, foi composta em 1962 por Vinícius de Moraes e Tom Jobim.
A versão original da música, com o nome de "Menina que passa", era diferente e continha a seguinte letra, composta por Vinícius:

Vinha cansado de tudo
De tantos caminhos
Tão sem poesia
Tão sem passarinhos
Com medo da vida
Com medo de amar
Quando na tarde vazia
Tão lindo no espaço
Eu vi a menina
Que vinha num passo
Cheio de balanço
Caminho do mar

Porém, nem Tom nem Vinícius gostaram da letra da canção. Então remodelaram a letra com a "ajuda inspiradora" de Helô Pinheiro. Os músicos boêmios frequentavam o bar Veloso. As mesas ficavam na calçada, onde observavam, encantados, a bela garota que todos os dias ia "a caminho do mar".
Em 1965, Tom e Vinícius revelaram a verdadeira identidade da garota de Ipanema. Isto é, apenas dois anos e meio após o lançamento da canção. Helô Pinheiro soube que, afinal, era ela a garota de Ipanema.
Em 1966, Helô casou-se com o engenheiro Fernando Pinheiro. Tom Jobim e a sua mulher, Thereza, estavam entre os padrinhos.

Veja o vídeo e a letra da música:


Garota de Ipanema
Vinícius de Moraes e Tom Jobim

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
No doce balanço, a caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar
Ah, porque estou tão sozinho
Ah, porque tudo é tão triste
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

14/09/2012

A história das músicas

"O mundo é um moinho" é uma canção composta pelo cantor e compositor de samba Cartola e gravado por ele em 1976, tendo sida gravada anos depois por Cazuza e Ney Matogrosso.
Reza a lenda que Cartola teria composto essa canção para sua enteada Creusa - filha de Dona Zica, sua esposa - ao descobrir que ela, em um momento de revolta e desvario, tinha optado pelo meretrício, tornando-se uma meretriz.
Em outras versões, ela teria optado por sair de casa, para morar com um namorado (ou um homem mais velho, o que, para a época, era considerado uma prostituição - o concubinato), outras ainda, afirmam que ela se encontrava em dúvidas normais de uma moça (já que tinha à época, 16 ou 17 anos) acerca do namoro. Há ainda outras versões para a mesma lenda, sendo esta a mais difundida.

Veja o vídeo e a letra da música:


O mundo é um moinho
Cartola

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho.
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

12/09/2012

A história das músicas

A partir de hoje iremos contar um pouco mais sobre as histórias e mitos das grandes composições da música brasileira.
Não podíamos iniciar de maneiro melhor. Uma das mais famosas canções da MPB - "Marina" de Dorival Caymmi.

Uma das mais comoventes músicas de Dorival Caymmi é o samba-canção "Marina". A letra - meio machista é verdade - narra a história de uma mulher que abusou da maquiagem a contragosto do amado. O companheiro então passa um sermão e termina com uma sentença fascinante: "Desculpa, Marina morena, mas eu tô de mal".

A morena Marina nunca existiu. A letra da música começou de trás pra frente. Numa tarde, Dorival Caymmi estava indo para a rádio, e, por qualquer motivo, um dos seus filhos (talvez Dori) estava bravo com ele. O compositor mesmo assim seguiu para a rádio, quando o menino disparou: "Estou de mal". A frase com cara aborrecida do filho ficou em sua cabeça.

A caminho da emissora, Dorival não pensava em outra coisa. É ele mesmo que narra: "Na rua, essa frase ficou martelando na minha cabeça: 'Estou de mal, estou de mal, estou de mal...'. Enquanto ia a rádio, comprava umas coisas, andava nas ruas, a melodia e a letra foram se compondo em minha cabeça". Ao fim do dia o clássico estava pronto.

Veja o vídeo e a letra da música:


Marina
Dorival Caymmi

Marina, morena
Marina, você se pintou
Marina, você faça tudo
Mas faça um favor
Não pinte esse rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina, você já é bonita
Com o que Deus lhe deu
Me aborreci, me zanguei
Já não posso falar
E quando eu me zango, marina
Não sei perdoar
Eu já desculpei muita coisa
Você não arranjava outra igual
Desculpe, marina, morena
Mas eu tô de mal

06/02/2012

SÓCIO AMBIENTAL


Projeto Mais Feijão 

A Syngenta, em parceria com o governo do estado do Paraná – por meio da Emater –, criou o Projeto Mais Feijão em 1999. A iniciativa oferece profissionalização a cerca de 1.200 produtores de feijão, além de outros mil produtores de milho, anualmente. Só em 2007, mais de 2.450 pequenos agricultores foram beneficiados pela iniciativa. Entre os conceitos disseminados pelo Mais Feijão estão otimização da produtividade, redução de custos e aumento da eficiência da agricultura familiar.
Esse projeto insere o pequeno produtor em um mercado cada vez mais competitivo, facilitando seu acesso à alta tecnologia, normalmente restrita aos grandes produtores.
O treinamento dos agricultores acontece em áreas-modelo de 1 hectare, onde grupos de 20 a 25 participantes aprendem a usar técnicas de agricultura sustentável e que garantem resultados socioeconômicos positivos. Em 2007, foram instaladas 61 áreas-modelo de cultivo de feijão e 51 de milho.
A Syngenta e a Emater também ajudam o produtor no contato com os canais de comercialização de produtos agrícolas e de beneficiamento do feijão. Os participantes do projeto passam a ter contato direto com as redes de supermercados, viabilizado o escoamento da produção para o varejo. Assim, o agricultor é estimulado a melhorar a qualidade de seu produto e vê seus lucros aumentarem.
Os resultados do Projeto Mais Feijão são mensurados a cada dois anos, por meio de pesquisa que verifica as mudanças na qualidade de vida, aquisição de bens de consumo, melhoria de moradia e alimentação nas famílias dos pequenos produtores atendidos pelo programa. O retorno tem sido tão positivo que o projeto chamou a atenção da FAO e do Banco Mundial, que pretendem colaborar para a expansão do conceito em países da África e da América Latina.
Atualmente, os parceiros do Projeto Mais Feijão são: IAPAR, Embrapa, Seab Paraná, Fundação ABC, FT Sementes e MDA.